sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pio XII, "pai solícito e providente"

Em carta ao vigário-geral de Roma, Francisco reconhece o heroísmo do venerável Pio XII, que conduziu a Igreja durante os horrores da Segunda Guerra Mundial



Depois do reconhecimento das virtudes heroicas do Papa Pio XII, em 2009, por iniciativa de Bento XVI, foi a vez do Papa Francisco demonstrar seu apreço pelo grande Pastor Angelicus, que conduziu a Igreja durante os terríveis anos da Segunda Guerra Mundial. No último mês, em carta enviada ao vigário-geral da diocese de Roma, o cardeal Agostino Vallini, o Santo Padre expressou sua gratidão "a quem foi pai solícito e providente" 01.

No dia 19 de julho de 1943, isto é, há 70 anos, a cidade de Roma foi bombardeada pelos Aliados, apesar dos insistentes pedidos de Pio XII para que a cidade eterna fosse poupada dos horrores da guerra. O conhecido bairro São Lourenço foi devastado: uma igreja tradicional dedicada ao mártir foi destruída e inúmeras vidas foram ceifadas. Sensível ao sofrimento dos moradores de Roma e incansável em seu esforço pela conciliação em tempos de conflito, o Papa Pacelli visitou o mesmo bairro, pouco tempo depois, para confortar o povo romano e clamar por paz.

O Papa Francisco recordou o incidente e louvou o "venerável Pio XII, que, naquelas horas terríveis, ficou próximo de seus concidadãos tão duramente golpeados". "O Papa Pacelli – escreveu – não hesitou em correr, imediatamente e sem escolta, às ruínas ainda fumegantes do bairro de São Lourenço, a fim de socorrer e consolar a população consternada. Também naquela ocasião se mostrou Pastor com premência, que está no meio de seu próprio rebanho, especialmente na hora da prova, pronto a compartilhar os sofrimentos de sua gente."




Francisco também lembrou a grande obra de caridade realizada pela Igreja durante a denominada "grande guerra", salvando inúmeras vidas e aliviando as almas. "O gesto do Papa Pacelli é o sinal da obra incessante da Santa Sé e da Igreja em suas diversas articulações, paróquias, institutos religiosos, residências, para dar alívio à população. Muitos bispos, sacerdotes religiosos e religiosas em Roma e em toda a Itália foram como o Bom Samaritano da parábola evangélica, inclinado ao irmão na dor, para ajudar-lhe e dar-lhe conforto e esperança."

De fato, é conhecida a ajuda que a Igreja, por meio do venerável Pio XII, concedeu às vítimas da guerra, especialmente aos judeus. São inúmeros os testemunhos de personalidades judias que abonam a ação do Pastor Angelicus. O diplomata israelense Pinchas Lapide esclarece que, "durante o pontificado de Pio XII, a Igreja católica foi o instrumento de salvação de, pelo menos, 700 000, mas talvez também de 860 000 judeus que deviam morrer às mãos dos nazis". Um judeu, que ficou quatro meses escondido nas catacumbas de São Calisto, em Roma, assegurou que "a Igreja católica foi para todos nós um seguro lugar de refúgio". "Quando um judeu encontrava um padre no caminho sabia que podia tranquilamente pedir-lhe refúgio e assistência".

Também é sabido, por exemplo, que foram muitos os conventos e mosteiros em Roma a abrirem suas portas para o abrigo de refugiados. Nada disto seria possível sem "instruções precisas, orais ou escritas, provenientes de Roma", garante o jornalista Andrea Tornielli, autor do livro "Pio XII, o Papa dos judeus". Tornielli escreve ainda que "só a necessidade de criar um bode expiatório, para cima de cujas costas se atirem as muitas culpas de quem não mexeu um dedo para ajudar os judeus, pode justificar que esta extraordinária ajuda humanitária seja esquecida"02.

Pio XII foi Pontífice da Santa Igreja de 1939 até o ano de 1958, quando morreu. Escreveu inúmeros discursos, encíclicas e radiomensagens, tendo abordado neles uma infinidade de questões, como o evolucionismo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Liturgia católica. Grande parte deste tesouro pode ser consultada no site da Santa Sé03.


Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

 

Referências

 
  1. Messaggio del Santo Padre Francesco al Cardinale Vicario Agostino Vallini, nel LXX anniversario del bombardamento di Roma
  2. Andrea Tornielli, Pio XII, il Papa degli ebrei. Trad. António Maia da Rocha. Porto: Ed. Civilização.
  3. Pius PP. XII - Eugenio Pacelli


Santo do Dia! - Santo Eusébio de Vercelli - (02 de Agosto)

Santo Eusébio de Vercelli
02 de Agosto

   

Hoje nós lembramos o testemunho de santidade de Eusébio, que nasceu no começo do século IV, na Sardenha e não tinha este nome, até ir para Roma em procura de lucro com a Política e o Direito. Encontrado por Jesus, converteu-se e recebeu as águas do Batismo e o novo nome de Eusébio, pois foi batizado pelo Papa Eusébio.

De simples leitor da Igreja de Roma, Eusébio foi ordenado sacerdote e depois em 345, Bispo em Vercelli, onde exerceu seu ministério com zelo, muito amor às almas e à Verdade. Dentre tantas inspirações para a Diocese, Eusébio vivia comunitariamente com seus sacerdotes, e desta comunhão conseguiu forças para vencer os bons combates do dia-a-dia.

Santo Eusébio de Vercelli por opor-se ao Arianismo que buscava erroneamente negar a divindade de Cristo, foi exilado com outros santos Bispos pelo imperador Constâncio. Despachado com algemas para a Palestina, Eusébio sofreu torturas e sobreviveu por seis anos fechado numa prisão. Quando liberto aproveitou para visitar as Igrejas do Oriente. Ao voltar foi acolhido como vencedor pelos irmãos no Episcopado, Clero e todo o povo, e até entrar no Céu em 370, venceu o Arianismo com Santo Hilário e unificou as Igrejas.


Santo Eusébio de Vercelli, rogai por nós!



 
 

Mensagem do dia

 
Sexta-Feira, 02 de agosto 2013
O Espírito Santo no seu dia a dia
 
  
O Espírito Santo é o sopro da boca do Pai que nos dá a vida: “Quando incutir em vós o meu espírito para que revivais, quando vos estabelecer em vossa terra, sabereis que eu, o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor” (Ez 37,14).

O Espírito Santo, enviado pelo Pai, ressuscitou Jesus dentre os mortos. Jesus que, por causa dos nossos pecados, jazia no sepulcro. O Senhor quer colocar em nós esse mesmo Espírito. Na situação em que vivemos, com grandes ou pequenos problemas, situações que nos amarram, que nos desanimam, arrastando-nos como mortos. O Espírito Santo Paráclito, que ressuscitou Jesus dos mortos, nos ressuscitará!

Essa é a obra do Espírito Santo: ressuscitar, tirar do pó aquilo que está sem vida. “E, se o Espírito daquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,11).

Tenha a certeza de que “teus mortos reviverão”: seu casamento, sua família e todos os seus entes queridos ressuscitarão. Mas é preciso que você pronuncie a Palavra de Deus. O Senhor está investindo o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos.


Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova


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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Papa reza pelos pais e educadores neste mês de agosto

André Alves
Da Redação



Arquivo
Papa Francisco reza pelos pais e pelos que trabalham
com a educação.

As intenções de oração do Papa Francisco para este mês de agosto são direcionadas aos pais e educadores. Neste sentido, o Pontífice reza para que estes ajudem as novas gerações a crescerem com uma consciência reta e numa vida coerente.

Como intenção missionária, o Papa pede para que as Igrejas locais da África, fiéis ao Evangelho, promovam a construção da paz e da justiça.

Todos os anos, as intenções de oração do Papa para cada mês são confiadas ao Apostolado de Oração, e a iniciativa é seguida pelos fiéis em todo o mundo.
 

Papa chama os jovens ao compromisso e às escolhas definitivas

Em discurso aos voluntários da Jornada da Juventude, Francisco pediu aos jovens coragem para ir "contra a corrente".
 

Em meio a tantos fatos e palavras durante sua visita ao Brasil, um dos mais ricos momentos da Jornada foi, sem dúvida, o discurso do Papa Francisco aos voluntários do evento, na tarde de domingo.

O Pontífice falou aos jovens sobre o tema da vocação: disse que "Deus chama para escolhas definitivas" e que "tem um projeto para cada um", cabendo a nós descobri-lo, responder ao seu chamado e "caminhar para a realização feliz de si mesmo". Isto não é exclusividade de alguns, mas um apelo à totalidade da Igreja. O Papa lembrou que, embora tenha um caminho reservado para cada um, "a todos Deus nos chama à santidade".

Muitas vezes, caímos no engano de pensar na vocação e no chamado de Deus somente na vida sacerdotal ou religiosa. Sem ignorar a particular importância destes dois serviços, pelos quais as pessoas são chamadas a se entregar ao Senhor de modo mais pleno, é preciso resgatar a dimensão do matrimônio como chamado à santificação pessoal dos esposos, à criação e educação dos filhos e a uma união indissolúvel, por toda a vida. Sem a fé e o reconhecimento destas notas essenciais do casamento, dificilmente sua relevância será recuperada.

O Papa Bento XVI estava convencido de que a crise que hoje vive o casamento está profundamente ligada à crise de fé e também a uma transformação arbitrária dos próprios fundamentos do matrimônio. Em um discurso aos membros do Tribunal da Rota Romana¹, ele disse:

"A expressão 'verdade do matrimônio' perde relevância existencial num contexto cultural marcado pelo relativismo e pelo positivismo jurídico, que consideram o matrimônio como mera formalidade social dos vínculos afetivos. Portanto, ele não só se torna contingente como podem ser os sentimentos humanos, mas apresenta-se como uma superestrutura legal que a vontade humana poderia manipular a bel-prazer, privando-o até da sua índole heterossexual."
 
A família não é um produto da vontade de nossos legisladores ou uma simples invenção cultural; não pode, por isto, ser modificada pelo Estado como ele bem entender. Ao contrário, sendo uma instituição mais antiga que o próprio Estado, é este quem deve respeitar aquela, lembrando o direito natural gravado pelo próprio Criador no coração humano. Neste sentido, o apelo do bem-aventurado João Paulo II nunca foi tão atual: "Família, torna-te aquilo que és!"

Para que este pedido seja acolhido, o Santo Padre, o Papa Francisco, conta com os jovens. "Há quem diga que hoje o casamento está 'fora de moda'. (...) Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é 'curtir' o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, 'para sempre', uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente".

Eis o sentido da "revolução" de Francisco: uma mudança de mentalidade que devolva ao mundo o senso de responsabilidade e de compromisso – seja nas comunidades religiosas, seja na vida matrimonial. Desta bela e necessária renovação dependem a vitalidade da Igreja e o próprio futuro da humanidade.



Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
 
 

Referência

  1. Discurso do Papa bBento XVI por ocasião da inauguração do ano Judiciário do Tribunal da Rota Romana


Formações - A sublimidade de Cristo

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A sublimidade de Cristo

A Via-sacra na JMJ Rio2013 foi uma obra-prima
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A Jornada Mundial da Juventude nos reservou muitas alegrias e até surpresas. O Papa Francisco mostrou-se um pastor profundamente sintonizado com o povo. Sua alma fala com a multidão com a leveza espontânea de um pai amado pelos seus filhos. Cumpriu a vontade de Jesus que queria que São Pedro “confirmasse seus irmãos na fé” (Lc. 32,22). O que se pôde observar é que o centro de seus interesses não era a sua própria pessoa, mas a juventude e o povo em geral. A esses ele queria dar o testemunho de sua vida cristã, totalmente voltada para Cristo.

Embora tivéssemos tido muitos momentos de grande significado nesta Jornada Mundial da Juventude, quero destacar, no entanto, apenas um que, foi um ponto alto de tudo que se viu. Trata-se da Via-sacra do jovem. Estamos diante de uma representação teatral moderna, fiel à figura central que é Cristo, cujo fulgor atingiu uma expressão mundial. Em qualquer lugar do planeta, a encenação pode ser considerada uma obra-prima.

Assista: Via-sacra na JMJ Rio 2013





A peça manteve-se dentro da mais sadia tradição, mas, ao mesmo tempo, se encarnou no mundo moderno. Mostrou toda a grandiosidade do Filho de Deus, cujo sacrifício se mostrou o centro da história mundial. A execução do gesto de solidariedade do Salvador provocou profundas emoções em todas as pessoas que viram a Via Crucis ao vivo ou acompanharam pela televisão.

O profundo silêncio da multidão vem comprovar que só Deus satisfaz a alma humana. Já nos dizia o salmista: “Eu digo ao Senhor: só tu és o meu bem” (Sl 16,2). Isso não elimina a necessidade de nos voltarmos para tantas atividades humanas, quais sejam as econômicas, as políticas, as científicas... Elas fazem parte da vida do ser humano, mas não convém que ocupem o centro do coração. Este queremos reservar Àquele que é o nosso mais fiel amigo: Cristo. Diante d'Ele, todos os heróis humanos perdem o brilho. Ele nos ajuda sem nos substituir. Ele nos faz propostas sem sequestrar nossa liberdade. Sua presença na vida é estimulante. Ele não é "pé no freio", mas proposição de nobres ideais.

Um jovem diante de Jesus exclamou: “Cristo é demais!”. Os jovens vibram com Ele. Mas o Senhor também rejuvenesce o coração de qualquer ancião.


Dom Aloísio Roque Oppermann, scj 
 
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

Endereço eletrônico: domroqueopp@terra.com.br

Santo do Dia! - Santo Afonso Maria de Ligório - (01 de Agosto)

Santo Afonso Maria de Ligório
01 de Agosto

  

Celebramos, neste dia, a memória de um santo Bispo e Doutor da Igreja que se tornou pelo seu testemunho “Patrono dos confessores e teólogos de doutrina moral”. Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles, na Itália, em 1696, numa nobre família que, ao saber das qualidades do menino prodígio, proporcionaram-lhe o caminho dos estudos a fim de levá-lo à fama.

Com 16 anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e já se destacava em sua posição social quando se deparou, involuntariamente, sustentando uma falsidade, isto levou Afonso a profundas reflexões, a ponto de passar três dias seguidos em frente ao crucifixo. Escolhendo a renúncia profissional, a herança e títulos de nobreza, Santo Afonso acolheu sua via vocacional, já que o Senhor o queria advogando as causas do Cristo.

Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isto até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito Bispo e assim pastoreou com prudência e santidade o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Entrou no Céu com 91 anos, depois de deixar vários escritos sobre a Doutrina Moral, sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento e a respeito da Mãe de Deus, sendo o mais conhecido: “As Glórias de Maria”.


Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós!